quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tempo

Esta aula pode ser usada para todas as turmas em qualquer série, mas em especial para os alunos do 6º ano do ensino fundamental e 1ª ano do ensino médio.

1. Tema

O tema desta aula é o tempo, suas diferentes percepções e medições

2. Objetivos

O objetivo é reconhecer as diferentes formas histórico-sociais de marcação do tempo.

3. Estratégias

I. Começaremos a aula com uma sensibilização dos alunos perante o tema. Devemos perguntá-los como eles fazem para marcar seu próprio tempo. Qual a hora de acordar, a hora de tomar banho, de se alimentar, de ir a escola, de brincar e de dormir. O professor pode fazer desta sensibilização um exercício no qual os alunos escrevem estas respostas no caderno, ou uma roda, perguntando a alguns alunos que respondem para a sala inteira.

II. Após a sensibilização, o professor deverá dizer aos alunos que a forma na qual eles demarcaram os seus próprios tempos não é algo que ocorreu sempre na história. Cada sociedade teve uma forma diferente de perceber o tempo. As duas maiores diferenças ocorrem com a demarcação natural do tempo e a demarcação industrial do tempo.
O professor deve dizer que nem sempre existiu o relógio, e que nestas sociedades, em que a maioria das pessoas viviam no campo, era muito comum que as pessoas percebessem a passagem do tempo conforme os ciclos naturais. Assim, eles marcavam o tempo como a alternância entre o dia e a noite, as diferentes fases da lua (que alteram a fluidez dos rios e mares), a posição dos objetos celestes, a posição do sol, o tempo de chuva e de seca, o frio e o calor, a época de se plantar e se colher. Conforme as sociedades foram se tornando mais complexas, estas marcações do tempo foram sendo registradas e assim surgiram as primeiras formas de se marcar o tempo, como relógios e calendários. O professor deve lembrar que cada povo criou seu próprio sistema de marcação, mas que em sua maioria, leva em conta a movimentação dos astros, em especial o sol e a lua, para marcarem o tempo.
Depois, o professor deve lembrar aos aluno que nas sociedades contemporâneas, o tempo passou a ser cronometrado, a partir das necessidades econômicas, principalmente após a revolução industrial. Nas sociedades industriais, os trabalhadores ganham seus salários por hora trabalhada, e o tempo de trabalho não é determinado pelas variações da natureza, mas pelas necessidades das empresas. Assim, a marcação do tempo se concentrou no tempo marcado pelo relógio, um objeto que surgiu na antiguidade, e se espalhou por vários povos e culturas diferentes. No Ocidente, os primeiros relógios foram instalados nas torres das igrejas, nos monumentos de praças, nos edifícios públicos. Esse tempo do relógio foi cada vez mais regendo a vida das pessoas, e o professor deve dizer que é por isso que os alunos marcaram seus tempos assim.

III. A aula agora vai se voltar para uma organização mais estruturada do tempo, os calendários. Os calendários derivam da palavra latina calendarium, que era o livro de contas no qual constavam os juros dos empréstimos, pagos nas calendae, que correspondiam ao primeiro dia dos meses romanos.
O professor pode perguntar aos alunos quando eles acreditam que começou a História. Após esta sondagem, pode-se relembrar que isto é relativo a cada cultura. Diferentes povos demarcam o começo de sua história a partir de marcos importantes as suas culturas. O professor pode colocar o seguinte esquema na lousa para registro dos alunos:

Os Principais calendários utilizados.



  • Os judeus datam a história a partir da criação do mundo descrita na Torá, que teria ocorrido há mais de 5700 anos atrás. O calendário judaico é lunar, ou seja, são os ciclos da lua que marcam a contagem dos dias dos meses. Cada ano pode ter doze meses, e alguns são bissextos, e por isso tem treze meses. Os meses também variam na quantidade de dias que possuem a cada ano. No calendário judaico, o dia começa e termina ao pôr do sol. Este calendário é oficial no Estado de Israel, apesar da maior parte da população só utilizá-lo para rememorar datas festivas.
  • O calendário cristão (também conhecido como gregoriano) tem como divisor o nascimento de Jesus. Assim, os anos que ocorreram antes do nascimento são chamados antes de Cristo e abreviado com a.C., e após o nascimento de Jesus são chamados depois de Cristo e marcados com as letras d.C. Os anos tem doze meses, com cada um variando entre 30 e 31 dias, a cada quatro anos um dia é acrescentado ao mês de fevereiro, que tem 28 dias regulares e 29 em anos bissextos.
  • O calendário muçulmano data a história da formação do islamismo, a partir da Hégira, evento que marca a fuga de Maomé de Meca para Medina. O calendário muçulmano é integralmente lunar. Os números de dias nos meses são intercalados entre 30 e 29 dias a menos do último, o 12º que pode possuir 29 ou 30 dependendo de uma série que se alterna entre 19 e 11 anos. O cálculo do calendário é feito de tal forma que completa 360 lunações em 10631 dias.
  • Na China, após a revolução comunista foi adotado o calendário gregoriano ao país, mas existe um calendário festivo que é lunissolar, ou seja, considera o ciclo da lua e do sol. O ciclo lunar é formado por 354 dia, para não perder a sincronia com o ciclo solar (de 365,25 dias), a cada oito anos são acrescentados noventa dias ao calendário.


O professor deve lembrar que outros povos criaram outras marcações de tempo, e que isto pode se aprofundado ao se estudar suas histórias. Deve também dizer que no Brasil adota-se o calendário cristão.

IV. Agora os alunos devem aprender a calcular a passagem do tempo. Esta parte pode ser trabalhado em conjunto com a professora de matemática das turmas de ensino fundamental II. O professor deve lembrar que o calendário cristão é o utilizado, pois os historiadores ocidentais sofreram sua influência. Aqui os alunos deverão dominar conceitos matemáticos simples para prosseguir na aprendizagem. O professor deve estar assegurado que os alunos conheçam os números romanos, ou então ele deve assegurar esta aprendizagem, uma vez que a marcação se faz por estes algarismo. Então, se deve dar alguns exemplos de como se calcula o século de um determinado ano, considerando as centenas e milhar nos anos que terminam em 00, e fazendo-se a soma de uma unidade para os anos que não terminem em 00, exemplo:

1600 d.C. - ano terminado em 00 - 1600 - 16, ou seja século XVI d.C.
1349 d.C. - ano terminado em 49 - 1349 - 13 + 1=14, ou seja século XIV d.C.
347 a.C. - ano terminado em 47 - 347 - 3+1=4, ou seja, século IV a.C.
200 a.C. - ano terminado em 00 - 200 - 2, ou seja, século II a.C.

Agora o professor deve propor um exercício aos alunos, para que eles treinem:

Calcule o século dos seguintes anos:

a) 1289 d.C.
b) 2276 d.C.
c) 2300 a.C.
d) 322 a.C.
e)300 d.C
f)22 a.C.
g)2001 d.C.
h)890 a.C.
i) 1009 a.C.
j) 1200 d.C. 

Agora eles devem aprender a calcular quanto tempo se passou entre uma data e outra. Conforme a turma pode-se exigir um maior grau de dificuldade acrescentando-se dias e meses, mas o central é aprender a calcular os anos. O professor deve dar alguns exemplos, principalmente envolvendo períodos entre a transição de antes de depois de cristo, no qual há maior dificuldade. Exemplos:

quando for em eras diferentes ( de antes para depois de cristo)
quanto anos se passaram desde o fim das guerras medicas em 479 a.C. - 2012 + 479 = 2491 anos - aqui há que se somar

quando for na mesma era (antes ou depois de cristo)
quanto anos se passaram desde a declaração de independência do Brasil em 1822 d.C. - 2012-1822= 190 aqui há que se subtrair

O professor pode sugerir mais exercícios.

Calcule a quantidade de anos:

a) Entre o inicio do reinado de Tutancâmon em 1314 a.C. e sua morte em 1324 a.C.
b) Do reinado de Jaime II da Inglaterra entre 06/02/1685 e 11/12/1688 d.C.
c) Do Império Romano entre 27 a.C. a 476 d.C.
d) Entre a chegada do homem à lua em 20/07/1969 e hoje
e) Da primeira Copa do Mundo de Futebol em 1930 até a última que ocorreu.

V. Por último, falaremos sobre as convenções do tempo utilizadas. O professor pode utilizar do seguinte esquema no quadro negro:

Biênio - período de 2 anos
Quinquênio - período de 5 anos
Década - período de 10 anos
Século - período de 100 anos, formado por 10 décadas
Milênio - período de 1.000 anos, formado por 10 séculos

Além dessa marcações básicas, o professor deve lembrar de algumas outras como geração, que é um espaço de tempo variável, na qual um grupo de homens adultos tomam o controle social sobre outro grupo de homens, disseminando sua cultura e mentalidade. O conceito de era, que é um longo período de tempo no qual persiste um determinado fator social, se pode citar que vivemos na era cristão, ou na era da informação, ou que já houve uma era industrial, uma era de revoluções, etc.
Por fim, o professor deve lembrar aos alunos que a História que eles estudam tem como base uma periodização do tempo elaborada por historiadores europeus que davam maior importância às fontes escritas e aos fatos políticos europeus. Por isso, chamamos esta periodização de tradicional. Nela chamaram de Pré-História todo o período anterior à invenção da escrita. E estabeleceram como marcos divisórios das "idades" de uma possível história universal os acontecimentos ocorridos na Europa ou a ela relacionados.

Os períodos clássicos são:

Pré-História - do surgimento do ser humano até o aparecimento da escrita (c.4000 a.C.);
Idade Antiga - do aparecimento da escrita até a queda do Império Romano do Ocidente (476d.C.)
Idade Média - da queda do Império Romano do Ocidente até a tomada de Constantinopla pelos turcos (1492 d.C.)
Idade Moderna - da tomada de Constantinopla até a queda da Bastilha durante a Revolução Francesa (1789 d.C.)
Idade Contemporânea - da Revolução Francesa aos dias atuais.

O professor pode complementar dizendo que também há uma divisão clássica da história do Brasil dividida em três partes: Período Colonial, Período Imperial, e Período Republicano.
Também deve ponderar sobre as diversas criticas possíveis a serem feitas por estas periodizações.

IV. Avaliação

A avaliação tem como base a música "Tempo" de Arnaldo Antunes:

Escute a música e então responda:




Tempo

Arnaldo Antunes

será que a cabeça 
tem o mesmo tempo que a mão?
o tempo do pensamento, 
o tempo da ação

será que o teto tem o mesmo tempo que o chão?
o tempo de decompor…
o tempo de decomposição

será que o filho 
tem o mesmo tempo que o pai?

o tempo do nascimento, 
crescimento, envelhecimento, 
um momento
um momento

o homem pensa que faz
a guerra, a paz
enquanto o homem pensa
o tempo se faz
o homem pensa que é
alegre, triste
enquanto o tempo passa
o homem assiste
como matar o tempo
como matar o tempo…




1) O que artista quis dizer com ''será que a cabeça tem o mesmo tempo que a mão?"?

2) O artista fala sobre o "tempo do nascimento, crescimento e envelhecimento", como você acredita que era demarcado este tempo na antiguidade e como esse tempo é demarcado hoje em dia?


Referencias:
BRAICK, P.R. e MOTA, M.B., História: das cavernas ao terceiro milênio vol1. Das origens da humanidade à reforma religiosa na Europa. Ed. Moderna. 2011
COTRIM, G. História Global vol1. Ed. Saraiva. 2011

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